10 motivos para NÃO visitar a Rússia, país sede da Copa do Mundo 2018


Quando demos de cara com a notícia de que a embaixada brasileira criou uma cartilha explicativa para a comunidade LGBT falando sobre como se comportar na Rússia, a primeira coisa que pensamos foi: "Meu Deus, pra que um LGBT vai viajar para Rússia?", e desde o início da Copa, foi inevitável perceber que as emissoras de TV e sites de jornalismo estão se empenhando bastante em criar uma boa relação entre os brasileiros e o país governado por Vladimir Putin, diariamente, são diversas reportagens sobre as "maravilhas do lugar", a "sociedade acolhedora" e a "cultura amigável", portanto, resolvemos criar uma lista com 10 motivos para NÃO visitar a Rússia e, acredite, não foi nada difícil escrever a lista que, a princípio, seria de apenas 5 motivos.

Nós aqui no CabeMaisDois (Thaís e Jéssika) temos uma opnião formada e bem estruturada sobre países com atitudes e leis homofóbicas, decidimos simplesmente não incluir em nossos roteiros de forma alguma, levando em consideração que o turismo LGBT movimenta muito dinheiro e que o nosso amado dinheirinho deve rodar apenas em lugares onde somos bem recebidos e lutamos sempre para passar essa ideia a diante na torcida para que esses países evoluam e mudam sua forma de governar.

  1. A necessidade de ter uma cartilha de comportamento para homossexuais.

    Só de existir um "guia de comportamento" para brasileiros na Rússia já é assustador, agravando com a necessidade de mencionar a comunidade LGBT em alerta para demonstrações públicas de carinho que não se tratam só de beijos e selinhos, mas também de abraços e mãos dadas, ainda com ameaça de cumprimento de uma lei que prevê multa e deportação para turistas. Só por esse primeiro motivo, já não pisaríamos na Rússia nem para fazer uma conexão.

    Fonte: Itamaraty pede para homossexuais evitarem gestos de afeto na Copa.
  2. Em 2017, a Rússia DESPENALIZOU a violência doméstica.

    Enquanto no Brasil os movimentos feministas e de direitos humanos continuam avançando por uma maior igualdade de gênero e buscando justiça para aquelas que são agredidas e violentadas por seus companheiros, na Rússia, Vladimir Putin sancionou uma lei que despenaliza violência doméstica. Pela lei, agressões que causam dor física, mas não lesões, e deixam hematomas, arranhões e ferimentos superficiais na vítima não serão consideradas crime.

    "Entre 12 e 14 mil mulheres morrem todos os anos agredidas por seus companheiros na Rússia, segundo dados divulgados pelo Ministério do Interior do país em 2008, enquanto outras fontes falam que uma mulher morre a cada 40 minutos vítima da violência de gênero no país."

    Fonte: Putin sanciona lei que despenaliza violência doméstica na Rússia
  3. Racismo e o caso do atacante brasileiro Huck.

    Olha a história da cartilha aí de novo, dessa vez, para alertar torcedores "de pele escura" a não falarem alto nas noites da Rússia, veja bem... Lamentável. É só procurar por racismo na Rússia no Google que já aparecem diversos casos contados por pessoas de diferentes lugares do mundo, entre eles, o caso do jogador brasileiro, Huck, que foi atacante por quatro anos no Zenit, time de São Petersburgo e contou que ouvia ofensas durantes os jogos e sons de macaco vindo de sua própria torcida. Além disso, foi na Rússia que Tamara Pletnyova, presidente da Comissão Parlamentar para família, mulheres e crianças do Congresso russo, ORIENTOU que mulheres russas evitassem se relacionar com estrangeiros de “outras raças” para que não se colocassem no que ela chamou de “situação vulnerável na sociedade russa”.

    "Nos jogos russos da temporada 2016/2017, houve 89 incidentes racistas e de extrema-direita, de acordo com novos dados coletados pelo SOVA Center, organização que desenvolve pesquisas sobre nacionalismo e racismo na Rússia. Em dois anos, o país acumulou 200 casos."

    Fonte: Rússia alterna entre racismo e curiosidade com negros no país.
  4. Campos de concentração para gays na Chechênia (parte da Federação Russa).

    A Chechênia é uma das menores das 22 repúblicas que integram a Rússia e foi lá que, em 2017, mais de 100 homens entre 16 e 50 anos foram enviados para um campo de concentração onde foram torturados e eletrocutados, o crime? Ser homossexual. Com pelo menos 4 mortes nas costas, o governo deu seu parecer falando o seguinte: “mesmo que existissem gays na Chechênia, a polícia não teria problema com isso, pois as próprias famílias deles se comprometeriam a enviá-los a um lugar de onde não seria possível retornar.” Ou seja, além de lavar as mãos, ainda diz que as famílias do lugar matam seus parentes homossexuais.

    Fonte: Anistia Internacional mobiliza mais de meio milhão contra homofobia na Chechênia.

  5. Lei ANTI-GAY.

    Desde 1993, a Rússia revogou a lei que considerava crime ser homossexual no país, porém, em 2013, entrou em vigor uma legislação federal conhecida como "lei anti-propaganda gay". Oficialmente, o texto condena a "propaganda de relações sexuais não tradicionais diante de menores", e pode render multas e penas de prisão. Defensores das causas LGBT garantem que a lei é vaga e usada para punir qualquer um que tenha intenção de lutar por seus direitos além de ter aumentado a violência contra homossexuais.

    Fonte: Na contramão de outros países, Rússia limitadireitos dos gays.

  6. Insistem em relacionar homossexualidade a pedofilia em propagandas, leis e campanhas eleitorais aumentando a violência contra homossexuais.

    As autoridades russas são totalmente capazes de controlar a onda de ódio e agressões contra homossexuais e proteger a comunidade LGBT, porém, preferem incentivar a prática ao continuar relacionando a homossexualidade com a pedofilia, por exemplo, ou a ficarem calados diante de relatos de agressões físicas.

    Após a lei anti-gay entrar em vigor, uma campanha homofóbica começou a circular nos meios de comunicação, autoridades do governo, jornalistas e celebridades chamaram publicamente as pessoas LGBT de "pervertidas", "somodomitas" e "anormais", e confudem a homossexualidade com a pedofilia. A lei proíbe representar relações “não tradicionais” como igualmente aceitáveis as “tradicionais”. Isso torna ilegal dizer algo positivo sobre ser gay publicamente ou dizer a uma criança que não há nada de errado em ser gay ou ser criado por pais gays.

    Fonte: Rússia: Jogos de Sochi destacam a violência homofóbica.
  7. Casal gay russo precisa sair do país após perseguições e violência psicológica.

    Em janeiro de 2018, um casal gay russo, saiu de seu país para realizar o sonho do casamento na Dinamarca, graças a uma falha do sistema legislativo russo, que reconhece automaticamente os casamentos celebrados do exterior, ao voltarem a Moscou, o casal teve seus documentos carimbados pelas autoridades russas, OU SEJA, sem querer, a repartição pública consolidou o primeiro casamento gay do país. O governo logo se deu conta do erro, mandou embora o funcionário responsável e cancelou os passaportes dos rapazes. Tarde demais! Os dois começaram a sofrer agressões e serem perseguidos, tiveram sua internet e luz cortadas sem justificativa e sofriam repressão da polícia em sua porta de casa, logo tiveram que sair do país às pressas.

    Fonte: Declaração do Conselho da Rede LGBT da Rússia sobre o fato de que Pavel Stotsko e Evgeniy Voytsekhovsky tiveram que deixar a Rússia.
  8. Campanha eleitoral com vídeo ironizando homossexuais.

    Em meio a uma campanha eleitoral, um vídeo a favor de Vladimir Putin, ironiza homossexuais e negros. Na Rússia, o voto não é obrigatório e com isso as campanhas para população ir votar são bem pesadas. No vídeo, um homem de classe média sonha com uma Rússia sem Putin onde ele precisa entrar para o exército e lutar ao lado de negros e onde o governo obriga a receber homossexuais em sua casa.

    Fonte: Campanha eleitoral na Rússia tem vídeo racista e homofóbico.
  9. Sugestão de que órgãos doados por homossexuais sejam queimados.

    A homofobia é tão descarada na Rússia que, em Julho de 2017, um apresentador de televisão Andrey Afanasyev, do canal de tendência cristã ortodoxa Tsargrad, chegou a fazer um programa no qual oferecia, de forma irônica, passagem só de ida para os homossexuais deixarem o país e finalizou dizendo que seria necessário apenas um atestado médico provando que é “sodomita” ou que tem outro tipo de “perversão”. Esses termos são bem aceitos na sociedade russa e repetidos sem receio. Já o vice-diretor de uma emissora de televisão pública chegou a propor que os corações dos doadores de órgãos gays fossem “queimados ou enterrados” pois eles seriam “incapazes de salvar a vida de alguém”.

    Fonte: Rússia: Jogosem Sochi destacam a violência homofóbica.
  10. 83% da sociedade russa aprova as leis, o governo e o modo como tudo é levado.
    Às vezes, justificamos leis de determinados países com "o povo não tem culpa do seu governo" mas já dizia a grande sábia minha avó, é o povo quem elege os seus governantes. Neste caso, não é diferente, não poderíamos citar 12 motivos para NÂO visitar a Rússia sem falar da sua sociedade, pessoas que, em sua grande maioria, aprovam as leis e a maneira como homossexuais e negros são tratados.

    Segundo um estudo independente, divulgado no início deste ano, 83% dos russos consideram a homossexualidade como algo "condenável". E essa opinião, presente inclusive entre os menores de 30 anos, vem aumentando nas últimas duas décadas, de acordo com a mesma pesquisa.

    Fonte: Às vésperas da Copa do Mundo, homofobia preocupa na Rússia.
E é com esse motivo que finalizamos a lista pois, se a gente viaja para conhecer outras culturas e povos, que cultura é essa que vamos nos inserir?

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