Minha primeira travessia: Petrópolis x Teresópolis


Considerada, por alguns, como a travessia mais bonita do Brasil é, sem dúvida, uma das mais desejadas e é, também, o ponto de partida de muitas pessoas para o mundo do montanhismo.
Muito conhecida como Petro X Terê, a travessia é um trekking bastante tradicional no montanhismo mas que pode ser realizado com tranquilidade por qualquer pessoa com o mínimo de preparo físico.

Pessoas acostumadas a realizar trilhas, por exemplo, provavelmente terão mais facilidade, então se não é o seu caso, vale a pena dar uma treinada antes de se aventurar neste roteiro.
A grande diferença de uma travessia para uma trilha comum,é a caminhada que, no caso das travessias, são de longa duração.

COMO CHEGAR| Carregando uma mochila cargueira com todos os equipamentos necessários, saímos da rodoviária Novo Rio, no Rio de Janeiro, e peguei um ônibus em direção ao Parque Nacional da Serra dos Órgãos, sede Petrópolis.

A travessia Petrópolis x Teresópolis, pode ser realizada em uma quantidade de tempo que varia de pessoa para pessoa, e acaba indo de acordo com a intenção de cada um.
Iniciantes, geralmente, levam 3 dias para concluir o percurso, já os mais experientes, podem realizar em dois e, tem também, os corredores de montanha, esses são capazes de realizar toda a travessia em algumas horas.

No meu caso, era minha primeira travessia, então, realizei em 3 lindos dias. Tive a oportunidade de desfrutar de diferentes formas neste período de tempo, apreciar, realizar a caminhada sem muito desgaste, tirar lindas fotos e ter magníficas sensações positivas em meio aquela imensidão de montanhas e verde.



O PRIMEIRO DIA| Após 8h de caminhada em subida no meio da mata, finalizamos o primeiro dia chegando ao abrigo do Castelo do Açú, claro que com paradas para hidratação, alimentação e algumas paradas de descanso. Montamos nossa barraca, fizemos chocolate quente para dar aquela aquecida do frio da montanha e fomos dormir.

O trajeto da travessia inteira tem aproximadamente 32 km, o primeiro dia de caminhada é subindo, mas não é uma subida íngreme, é feita em curvas (zig zag). O caminho é, propositalmente, mantido dessa forma para que possamos realizar com mais suavidade e para a manutenção da integridade do meio ambiente, então é importante seguir o caminho indicado.

Considerei o primeiro dia bem tranquilo, pois não houve nenhum desafio do qual eu já não estivesse acostumada. Meus companheiros de grupo também eram bem divertidos, então o tempo e a caminhada passavam rápido em meio a nosso bate papo.

É muito impressionante tudo que você vê durante o caminho. Podemos observar diversos pássaros cantando, diversidades de aranhas e insetos bem coloridos. A fauna e a flora mudam muito de acordo com a altitude da serra, conseguimos ver toda a mudança na vegetação enquanto vamos subindo até chegar ao campo de altitude.



O SEGUNDO DIA| Acordamos bem cedo para ver o nascer do sol no Castelo do Açú que é muito lindo. Subimos na pedra mais alta do local ainda a noite e pudemos observar o exato momento em que o sol começava a aparecer. Após esse momento, desmontamos nossas barracas, tomamos café da manhã e seguimos nosso trajeto.

Muitas pessoas consideram o primeiro dia o mais difícil, mas eu considero o segundo dia. Um dia inteiro de muitos lances técnicos e é necessário passar por rochas com o auxílio de cordas e equipamento de escalada, o que deixa a travessia ainda mais encantadora, pois são desafios muito gostosos de passar, porém é o que mostra a importância de ir com alguém que entenda de escalada, ou que seja guia capacitado, ou mesmo que já tenha ido algumas vezes e entenda as técnicas para passar por esses desafios.

O segundo dia é o mais bonito, sem dúvidas, até porque nosso destino é a Pedra do Sino, que eu considero o lugar mais magnífico de toda a travessia. No segundo dia, caminhamos a maior parte do tempo em lugares descampados, sob grandes rochas, avistando penhascos e observado toda a formação montanhosa da Serra dos Órgãos. Um dia de brilhar os olhos e tirar o fôlego. Infelizmente, nesse dia chegamos já anoitecendo ao abrigo da Pedra do Sino e, por isso, não conseguimos ver o por do sol de lá, que tanto é elogiado. Mas no dia seguinte, vimos o nascer do sol, que é ainda mais conhecido e elogiado, e caaaaara que nascer do sol é aquele?!! As cores vão surgindo, o céu vira um enorme degradê de cores, meio avermelhado, meio laranja e amarelo, algo surreal de tão bonito.

Depois de ver o nascer do sol, tomamos café todos juntos em forma de piquenique pegando um solzinho da manhã, e seguimos ruma ao final da nossa aventura.


TERCEIRO DIA| O último dia é bem tranquilo, uma descida nem um pouco íngreme, e no meio do caminho, encontramos cachoeiras como a do papel e a véu da noiva, momento ideal para quem quiser se refrescar um pouco. Esse dia fica aquela vontade de não se despedir da travessia e da galera, é o dia que fazemos mais pausas no caminho e observações. E quando percebemos, já chegamos na parte administrativa da Serra dos Órgãos, sede Teresópolis.

Expo carros antigos em Teresópolis.
E a partir dali, quem tiver disposição, pode dar uma volta por Teresópolis e almoçar, e foi exatamente o que fizemos. É gratificante realizar essa travessia e, com toda certeza, você não irá se arrepender se aceitar o desafio, voltará para casa com muitas histórias, se sentindo realizado e cheio de energia interior. O corpo cansa mas a mente volta novinha em folha.

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