Turismo LGBT na Bolívia


Vamos falar de turismo LGBT que muito nos importa? Vamos! Antes de ir a qualquer lugar do mundo, a maioria de nós procura saber sobre as leis do país, como o destino escolhido lida com a comunidade LGBT local, e com os turistas. Também procuramos saber sobre a presença ou ausência de legislação que protege LGBTs, e fazemos uma vasta pesquisa sobre esse assunto, pois todos sabem que, mesmo em países onde temos proteção por lei, ainda sofremos muitos preconceitos, então o que dirá de países que não temos direitos garantidos. 

Existem ainda países em que é proibido demostrar afeto ou se assumir LGBT, esses nós tiramos temporariamente da nossa lista até que algo mude, e o mínimo de respeito a diversidade cresça.
É importante sempre ter em mente que o turismo leva economia para um país e nós devemos dar prioridade de levar nosso dinheiro a lugares que nos aceitem e tenham mais respeito a diversidade, ao menos no papel. 

E como a Bolívia lida com essa galera? 
Só para começar chocando, vou descrever o que o atual presidente da Bolívia disse em um dos seus discursos. Evo Morales disse que o consumo de transgênicos e frangos anabolizados com hormônios femininos são os responsáveis pela calvície, homossexualidade e impotência sexual. Se a politica já se ausenta em relação a nós, a população extremante machista só piora a situação.
Não é
proibido ser homossexual na Bolívia, porém muitas outras pautas como casamento, leis contra discriminação e avanços de políticas públicas para essa parte da população não existem e não são debatidas entre governantes.


Eu e Thaís somos bem militantes em relação a muitas causas e a pauta LGBT é uma delas. Não deixamos de dar as mãos pelas ruas e, mesmo assim, muitas vezes minha namorada demonstrou estar com medo de receber alguma agressão, algo que ela nunca tinha sentido com tanta força.

Mesmo com receio, mantemos o ato natural de andar juntas pelas ruas de La Paz, que é a capital federal, e esse simples ato incomodava muitas pessoas ao redor. Não fraquejamos, continuamos apertando cada vez mais nossas mãos, porém sem relaxar a nenhum momento, sempre ligadas e em alerta, o que não é nem um pouco o que você quer fazer durante as férias. Acredito que agir dessa maneira, é a única forma de mudar as coisas e, em qualquer lugar do mundo, foi se impondo que os direitos foram conquistados! Além de ser uma forma de espalhar e naturalizar o que deveria ser natural por si só. Onde não podemos ser nós mesmas, e não somos legalmente bem vindas, não podemos se quer fazer essas pequenas revoluções.

Além dos olhares de negação nas ruas de La Paz, percebemos que na recepção de um dos nossos hostels, o atendente ficou extremamente incomodado ao saber que éramos um casal, perguntando três vezes seguidas se o nosso quarto era com cama de casal, e fez questão de dizer que havia outros com camas de solteiro disponíveis. Afirmamos a reserva, assim como já havíamos dito no e-mail que éramos namoradas e queríamos um quarto com cama de casal, inclusive, ele estava com o e-mail aberto. Depois desse episodio, todas as vezes que perguntávamos algo a ele sobre o mapa ou onde tem mercado, ele nos tratava curto e grosso. Percebi que nesse mesmo hostel havia um casal de meninos europeus que também eram mal tratados pelo mesmo atendente.

Outro fato que não tem ligação direta com homofobia, mas tem ligação indireta, é que a Bolívia é um lugar muito machista, onde é exposta a diferença de trabalho de moças e de rapazes, aquela coisa de mulheres na cozinha e homens dirigindo carro. Vimos vários cartazes que diziam que precisavam de moças para trabalhar em atividades como limpeza e cozinha. 

Tenho certeza que a maioria das mulheres ou viajantes solos devem ter sofrido algum assédio de bolivianos pela rua, aconteceu comigo duas vezes e com a Thaís umas quatro, e quando comecei a reparar isso, vi a quantidade de homem babaca que manda piadinha para mulheres, e todas as vezes que eu vi, foram mulheres aparentemente estrangeiras. Chegamos a ficar perto de uma delas que três homens estavam em cima falando besteira.

Sabemos que a Bolívia é um pais muito pobre e que precisa melhorar em muitos aspectos, mas nos sentimos no dever de passar conhecimento sobre esse assunto, pois é preciso ter atenção e cautela, é perigoso viajar sem certas informações.

Não quero que as pessoas fiquem com medo ou deixem de conhecer a parte boa desse país, afinal, todo país tem sua cultura e costumes, são riquezas que valem a pena ser entendidas e vivenciadas. Nós lemos em outros blogs LGBTs, antes de viajar, sobre aceitação da nossa população na Bolívia e até hoje só lemos relatos de preconceito. Espero que tenha um momento que eu leia algo contrário por aí. Além de que cada pessoa tem uma experiência diferente, talvez um outro casal de meninas não passe pelas mesmas coisas ao viajar, mas talvez passe por algo pior, então é sempre bom prevenir e se informar.

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